19.11.09

Prática

Só gostaria de relatar como temos tanto pelo que agradecer. Nem percebemos, mas todo momento é um momento novo, diferente do anterior e todos eles nos mudam e transformam, nem que seja num mínimo de um sorriso. E em todos esses instantes estamos vivos, não importa em que estado... Se olharmos para os passos que damos com contentamento, não só aproveitamos o azul dos dias claros, mas também nos regamos com a chuva das tardes cinzentas e nubladas. Vale a pena. Muito.

12.11.09

Relativo

Algo curto.
Sim, com pressa,
sem muito o que pensar.
Algo só para preencher
os espaços que faltam
Entre "entre" e "fim"do fim

Algo só que os deixe contentes,
sem aquele trabalho todo
De mexer e descolar a mente,
Nem precisa fazer sentido!
Só faça,
Faça que eles adoram.

Mas quem sabe, um dia.
Eles olhem para as palavras
como realmente são.

Quem sabe, um dia
não tenhamos que discorrer sobre a verdadeira relevância de versos
[compridos ou
curtos

[Algumas coisas não tem tanto mistério assim]

Quem sabe, um dia
"amor" signifique Amar
E não velha peça de porcelana,
Parte da coleção de seus amados avós

Quem sabe, um dia
O essencial não escape mais aos olhos
E a gente, enfim, poderia
Simplesmente... aceitar.

[A Academia poderia, as vezes, usar um pouco de fé.]

30.10.09

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno e asa ritmada.
E sei que um dia estarei mudo:
- mais nada

(Cecília Meireles)

E lógico que esta poesia não poderia ser minha.

22.10.09

Por mais gago

Que eu seja, formar-se-ão palavras na minha boca.
Talvez sem muito sentido, sem tanta ordem
Mas simples e sinceras... ainda que não fáceis.

Falarei sempre do que me acompanha,
Um pouco acanhado no ínicio, que seja
Mas não envergonhado.

Porque o que de mim vejo sempre perto
Não pode me dar maior alegria,
Sinto só por não fazê-lo caber em palavras.

Mas enquanto eu continuar pequeno,
Cabendo na palma de sua mão
Caberei em ti e me satisfaço
Nas tuas palavras, que em minha boca virão
Não importa o quão gago eu seja