7.3.09

Longa Jornada

Todos caminhavam juntos, alguns envolvidos em profundas e cativantes conversas, outros rindo alto, outros ainda de mãos dadas, e eu. Percebi que todos trilhavam um mesmo caminho, e me perguntei porque estavam todos na mesma direção, mesmo não tendo quase nada em comum entre si. Depois de um certo tempo, fui seguindo os olhos por entre as pessoas mais adiante e vi uma pequena aglomeração mais a frente. Quedei-me por um bom tempo, tentando descobrir a razão daquele pequeno grupo, ou quem escutavam (cheguei a conclusão que escutavam alguém porque ninguém dali falava, exceto em raras ocasiões; além de estarem todos entretidos com as faces viradas para um mesmo ponto). Até que por uma brecha na multidão, enxerguei um homem de média estatura, comum aos olhos e em nada especial. Falava. Era ele que falava! Por que todos daquele pequeno grupo prestavam tanta atenção nele? Talvez ele seja engraçado, e as pessoas gostam de ouvir suas piadas (porque afinal, todos ali pareciam contentes). Observei-o por mais um tempo e conclui que não contava piadas, mas falava de modo muito envolvente. Senti imensa vontade de saber o que falava, o porquê de seus olhos parecerem reluzir ao simples ato de viver. Mas senti também imensa vergonha: como apareceria ali, sem ao menos conhecê-lo ou saber seu nome? Como ele poderia se interessar por alguém como eu? E se for rejeitado? Não. Não vou. Fico por aqui, tento chegar um pouco mais perto e quem sabe ouço suas palavras de longe.
Fui ultrapassando algumas pessoas, que pareciam nem notar-lo, e chegando mais próximo ao início da multidão, reparei que a estrada a frente encontrava uma bifurcação e fiquei interessado por saber quem decidiria para onde iriamos. Quando o obstáculo aproximou-se lentamente, o grupo mais adiante parou e aquele homem começou a trilhar a passagem à esquerda e todos o seguiram. Será que era ele a razão de estarem todos fazendo aquela mesma caminhada, aquela mesma viagem? Virei meu rosto, de forma que podia ver todo o resto da multidão atrás e percebi que alguns desatentos escolheram o caminho à direita. Dentre esses, alguns ainda ouviram advertências dos amigos e corrigiram seu andar, mas outros decidiram que aquele seria um caminho melhor (não há como saber, não trilhei por ali, mas acho muito difícil aquela jornada ter sido melhor do que a minha; o porquê digo agora).
Quando voltei o olhar a frente, meus pés pararam de repente; senti como se um fino e gélido fio d`água percorresse todo meu corpo, dos dedos dos pés parando ao pescoço, entalado. Diversos pensamentos percorriam e corriam confusos na minha mente, o que fez com que eu não tivesse controle nenhum sobre meu coração, que disparou exasperada e irregularmente: O homem vinha em minha direção. Olhei para os lados e conferi que ninguém estava ao meu lado. Estava sozinho. Estava só. Em seguida não tive mais dúvidas, era para mim que ele vinha; seus olhos me miravam incansável e amorosamente. "Por que não me acompanha?" disse, seguido de meu nome (como ele sabia meu nome?) "Não sei. Eles parecem ser seus amigos, eu nem te conheço..." respondi e tive vergonha de minha resposta. "Não é essa a razão..." disse ele, por sua vez, seguido de um sorriso, que deixou tudo realmente mais fácil e confortável. Ele tinha um modo de parecer que eramos conhecidos de longa data (e talvez ele realmente já me conhecesse). Não respondi nada, não tinha resposta. "Venha, quero você por perto!" e abriu um largo sorriso, imitado por seus braços. Aceitei o convite, e o que se passou a frente não sei dizer, tudo ainda é muito novo. Sei apenas de uma paz inexplicável, um prazer incessante de poder ouvir as suas palavras. Ao longo da longa jornada, ele ainda convidou mais algumas pessoas mais para perto (as outras restantes imagno que já haviam sido convidadas), mas algumas recusaram, alegando que a caminhada já lhes pareciam prazerosa de seus lugares mesmo (não acreditei, e creio que nem ele). Mas quero descobrir mais, saber mais, conhecer mais. Quem sabe eu comece pelo seu nome...

2 comentários:

  1. Lindo.
    Acho que ele é aquele de quem se podia ouvir os passos no jardim, ao soprar a brisa do dia...

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  2. Demais! =]
    Brisa leve, tão suave e doce...

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